quinta-feira, 12 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

● Historia das Sereias da Vila ●

Kleiton Lima, atual técnico das Sereias da Vila e da Seleção Brasileira, teve seu primeiro contato com o futebol feminino nos Estados Unidos quando ainda era atleta. Com o interesse pelo futebol feminino, começou a assistir aos treinos de equipes daquele país. O técnico norte-americano, convidou Kleiton para que ensinasse o “jeito brasileiro” de jogar para as meninas, como os passes, os dribles, entre outros fundamentos. Quando voltou ao Brasil, encantado com o futebol feminino, Kleiton Lima convidou o Santos Futebol Clube para montar um time e, com o apoio da equipe da Assessoria de Comunicação do Santos e do Departamento de Marketing, o projeto foi viabilizado.
Com o inicio da modalidade no Santos, em 1997, o Clube foi ganhando espaço no futebol feminino e passou a conquistar muitos títulos. Ainda no primeiro ano de existência da equipe, as meninas conseguiram o primeiro título de vice-campeãs paulistas e sagraram-se campeãs dos Jogos Abertos do Interior, façanha repetida em 2002, e também ficaram com o vice no Estadual.
As jogadoras Renata Diniz e Renata Costa, na época, atuavam no Santos, e foram também campeãs pan-americanas e vice-olímpicas. Em 2004, as Sereias da Vila (apelido dado pelos torcedores), novamente conquistaram o titulo de vice-campeãs paulistas e medalha de ouro no International Women Soccer Cup. Já em 2006, veio o titulo da Copa Mercosul, disputada na cidade de Rosana, no Paraná.
Em 2007, o clube fez valer sua experiência na modalidade, conquistando o título na Liga Nacional (até então o principal torneio do País), e o Campeonato Paulista. No mesmo ano, foram vencedoras pela sétima vez dos Jogos Regionais e bicampeãs da Copa Trabalhador.
Além da estrutura oferecida pelo alvinegro praiano e a qualidade técnica das jogadoras, um dos principais fatores que parecem contribuir para o êxito do Futebol Feminino do Santos FC é a manutenção do técnico Kleiton Lima no cargo, desde o surgimento da equipe. Antes disso, ele já havia trabalhado na comissão técnica de Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo de 1994. Em 2006, atuou como auxiliar técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino na Copa da Paz, sediada na Coréia do Sul.
Já no final de 2007, o bom trabalho desenvolvido à frente da equipe santista fez com que Kleiton fosse convidado para assumir o comando da Seleção Brasileira Feminina Sub-20. Em 2008, logo em sua primeira competição, o técnico sagrou-se campeão sul-americano invicto, com uma campanha incontestável no torneio disputado em Porto Alegre (RS). Foram sete vitórias em sete jogos, 30 gols marcados e nenhum sofrido. No Campeonato Mundial Sub-20, disputado no Chile, também em 2008, a Seleção Brasileira obteve a quinta colocação.
A prova de que o Santos Futebol Clube é um dos berços dessa modalidade é que das 22 jogadoras que atuaram na Copa do Mundo de 2007, 16 tiveram passagem marcante no Clube, tendo como diferencial o intercâmbio com times dos Estados Unidos e de outros países, trazendo jogadoras de alta competência para atuar no Brasil. No total, mais de 21 atletas de outras nacionalidades já vestiram a camisa do Santos.

● Futebol Feminino no Brasil ●

A primeira partida de futebol no Brasil foi realizada em 1921², em São Paulo, quando se enfrentaram os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses. Entretanto as meninas enfrentaram muitas dificuldades como na década de 1940, quando foi criado no Brasil, pelo Estado Novo (denominação do Governo de Getúlio Vargas a partir de 1930), o Decreto Lei 3199, que criou o Conselho Nacional dos Desportos, vigorando até 1965. A matéria trazia no Artigo 54 do Capítulo IX – Disposições Gerais e transitórias a seguinte proibição – “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.” Anos depois, a decisão foi revogada, mas ainda era vetada a realização de jogos em estádios oficiais. Mesmo assim, surgiu a primeira “craque” no País, pelo menos em termos de reconhecimento pela Imprensa: Pelezinha. Nascida em Lins, Marilsa Martins da Silva, jovem negra de 1.60m, jogava futebol – como se diz popularmente – de gente grande. Em 1986, o time em que jogava – Esporte Clube Radar - sagrou-se tetracampeão carioca diante de mais de cem mil pessoas, em um estádio armado nas areias de Copacabana.
Em 1991, com a organização do Primeiro Mundial pela FIFA, iniciou-se uma era de maior valorização – mesmo que longe da ideal - da modalidade feminina. Os anos 90 foram marcados pelas embaixadinhas de Milene Domingues (ex-mulher de Ronaldo Fenômeno), que jogou dos 16 aos 19 anos no Esporte Clube Corínthians, e pela beleza de Susana Werner, do Clube de Regatas Fluminense. Em 1996, o futebol feminino foi incluído como categoria nas Olimpíadas. O Brasil ficou
com o quarto lugar nesse primeiro campeonato olímpico. O Vasco da Gama foi campeão estadual com cinco jogadoras da seleção das Olimpíadas de Atlanta(EUA): Pretinha, Marta, Fanta, Suzi e Meg. O São Paulo foi o primeiro campeão brasileiro (torneio que existiu de 1998 a 2001), com Kátia Cilene, Sissi e Formiga. Na mesma época, Pretinha despontava no Vasco hexacampeão carioca (1995 a 2000).
Em 2003, sob o comando do técnico Paulo Gonçalves, as meninas conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos e também o tetra campeonato sul-americano.
A seleção brasileira conquistou uma nova medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Com o estádio do Maracanã lotado, a jogadora Marta fez cinco gols sobre a seleção dos Estados Unidos. As meninas do futebol feminino terminaram a campanha do bicampeonato no Pan-Americano, com seis vitórias em seis jogos, com 33 gols marcados. Marta terminou o Pan-Americano como melhor jogadora e também artilheira da competição, com 12 gols. A atleta, aliás, já há três anos consecutivos vem sendo escolhida como a melhor jogadora de futebol feminino no mundo, prêmio conferido anualmente pela FIFA.
Mais recentemente, o Corínthians contratou Cristiane, outra estrela do futebol brasileiro. Menos de um ano depois de anunciar ambicioso projeto que envolvia o futebol feminino, o clube acabou com o seu time e deixou diversas jogadoras desempregadas, sem dinheiro e patrocínio.
São José do Rio Preto, Botucatu, São Caetano, Jundiaí, Campinas, São José dos Campos, Marília e Itanhaém são os principais times de futebol feminino no Estado de São Paulo.

● Futebol Feminino no Mundo ●

Acredita-se que o primeiro envolvimento do público feminino com a bola foi no Século XII. Algumas mulheres das zonas urbanas da França realizavam partidas de futebol, onde camponesas corriam atrás de uma bola feita de couro com fitas, em um jogo chamado LA SOUL. Anos depois, em 1746, na Escócia, a história registra que mulheres casadas e solteiras jogavam umas contras as outras. Esse jogo já era uma forma primitiva do futebol como conhecemos hoje.
Mas foi só um século depois, em 1863, que algumas regras foram padronizadas, proibindo-se ações do tipo: contato corporal entre atletas das duas equipes na disputa da posse de bola, condução da bola com a mão, entre outras.
Net Rolibol, nascida em Londres, foi considerada a fundadora da primeira equipe feminina de futebol no mundo, denominada “Senhoras Britânicas”, o fato ocorreu em 1894, mas só um ano depois é que a equipe fez seu jogo de estréia. Na época, dez mil pessoas teriam assistido à partida.
Alguns anos depois, em 1910, foi a vez das francesas pegarem gosto pela modalidade. Antes disso já haviam criado equipes como o “Rouge Esportive” e a “Femina Sports”, de Paris.
Mas foi em 1920 que o futebol feminino deu mostras de que vinha para ficar, mostrando o apelo e resultados financeiros: foram arrecadadas mais de 70 mil libras com o jogo beneficente que aconteceu em Goodison Park, onde mais de 53 mil pessoas assistiram à partida do Dick Kerr Ladies F.C . Dez mil pessoas ficaram do lado de fora do estádio.
Porém, as mulheres pareciam incomodar aos homens quando o assunto era a prática do futebol. Em dezembro de 1921, a Associação Inglesa de Futebol, composta apenas por jogadores masculinos, proibiu os filiados de cederem seus campos para jogos entre mulheres, e a proibição ainda durou mais 50 anos. Mais tarde, a federação francesa fez o mesmo, porém não impediu que as equipes continuassem a organizar jogos de caridade. Mesmo assim, o futebol feminino caiu em declínio rapidamente.
A situação do futebol feminino começou a ser modificada em 1960, quando alguns países como Dinamarca, Suécia e Noruega começaram a formar equipes de futebol. A partir dessa época, a prática dessa modalidade pelas mulheres estabeleceu-se por completo. Tanto que a FIFA (Federation Internationale de Football Association), em 1991, organizou o I Mundial, na China. Os Estados Unidos conseguiram o título, consagrando-se como a primeira equipe campeã mundial da modalidade.